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Raw Traveller

Entre viagens e caminhadas, este é um diário visual sobre vida selvagem e natureza, onde as fotografias são a principal inspiração para a criação de narrativas visuais únicas.

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Entre viagens e caminhadas, este é um diário visual sobre vida selvagem e natureza, onde as fotografias são a principal inspiração para a criação de narrativas visuais únicas.

31 de Julho, 2024

O Maciço Granítico de Castelo Branco: o parque do barrocal é um oásis da Beira Baixa.

Castelo Branco encontra-se localizada na região Centro de Portugal e tem uma história que remonta à época romana. Inicialmente, a área era habitada pelos lusitanos antes de ser ocupada pelos romanos, que construíram uma estrada militar estratégica na região. No entanto, durante a Idade Média, a Ordem dos Templários recebeu a região como doação do rei D. Afonso II, em 1213, e iniciou a construção de um castelo e das muralhas, que deram nome à cidade. No século XVI, Castelo Branco experimentou um desenvolvimento significativo, tornando-se um importante centro administrativo e religioso. Durante este período, foi construído o Palácio Episcopal, que mais tarde se tornou o Jardim do Paço Episcopal, um dos mais belos jardins barrocos de Portugal.

No século XIX, a cidade foi palco de confrontos durante as invasões francesas e, mais tarde, desenvolveu-se como um importante centro de comércio e agricultura. Hoje, Castelo Branco é conhecida pela sua herança histórica e cultural, incluindo o bordado de Castelo Branco, um artesanato tradicional que continua a ser praticado na região.

No entanto, vir a Castelo Branco foi só o pretexto para visitar um local que desconhecia até há uns meses; o Parque do Barrocal. Um parque natural urbano que se destaca pelas suas formações rochosas únicas e paisagens deslumbrantes. Mesmo em dias de muito calor, como no dia em que fomos ao parque, conseguimos encontrar zonas de sombra e, caso tenham sorte de haver vento, os mirantes são um ponto chave para conseguirmos refrescar!

Inaugurado em 2020, o parque foi criado com o objetivo de preservar e valorizar uma área natural de grande valor geológico e paisagístico. A região do Barrocal já era conhecida pela população local, mas a criação do parque oficializou a sua proteção e disponibilização para visitação pública. As formações rochosas são o principal atrativo deste parque urbano, mas não se enganem se acham que só serve para os amantes de geologia! Ao longo do percurso podemos ver diversas espécies de flora e de fauna: podemos ver a Giesta-branca (Cytisus multiflorus) e o Codesso (Adernocarpos lainzii), dois endemismos ibéricos, o papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca), a Petinha-dos-prados (Anthus pratensis), ou o Tordo-pinto (Turdus philomelos). No entanto, a joia da coroa é o estival abelharuco (Merops apiaster).

Parque do barrocal

Parque do barrocal

 

O parque encontra-se no Maciço Granítico de Castelo Branco, com milhões de anos e com aflorações rochosas que foram esculpidas pela erosão ao longo do tempo. Estas formações criam um cenário quase surreal, com rochas de formas variadas. Outra curiosidade interessante é a presença de evidências de ocupação humana antiga na região, como gravuras rupestres e outros vestígios arqueológicos, que indicam a presença de povos da idade do bronze.

Parque do barrocal

Parque do barrocal

 

Não fui preparado para fotografar avifauna, aliás só ia com os meus binóculos numa tentativa de conseguir ver alguma ave de rapina a aproveitar as correntes térmicas criadas pelo ar quente, mas quando vi a placa a dizer “observatório dos abelharucos” a minha atenção mudou por completo. Já tinha visto esta espécie no Alentejo e por isso já tinha o meu trabalho de casa feito: sabia o seu chamamento e a forma do seu corpo! Mas foi já na saída do parque que ouvi um som familiar e para meu espanto era um bando de abelharucos, só que não os vi! Muito provavelmente estavam no outro lado do maciço rochoso. Sabem o que isto significa? É preciso voltar para ter uma nova hipótese.

Parque do barrocal

Parque do barrocal

 

Em suma, o parque não só desempenha um papel crucial na conservação do património natural e geológico de Castelo Branco, como também é um espaço educativo, onde os visitantes podem aprender sobre geologia, ecologia e história. Além disso, promove o turismo sustentável, atraindo visitantes que procuram experiências ao ar livre e contacto com a natureza, contribuindo para a economia local sem comprometer o meio ambiente.

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