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Raw Traveller

Explorar o mundo através das lentes: um blog de viagem e natureza, onde as fotografias são a principal inspiração para a criação de narrativas visuais únicas, repletas de detalhes e curiosidades.

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Explorar o mundo através das lentes: um blog de viagem e natureza, onde as fotografias são a principal inspiração para a criação de narrativas visuais únicas, repletas de detalhes e curiosidades.

24 de Novembro, 2023

Fotografar a beleza dos pescadores na Praia da Barra, Aveiro.

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A Praia da Barra, localizada no concelho de Ílhavo e a poucos minutos da cidade de Aveiro, é um verdadeiro tesouro no litoral centro de Portugal. Com a sua extensa faixa de areia dourada (muito característico da Costa de Prata) e as águas frias que se estendem até onde os olhos podem alcançar, esta praia é um convite para todos os que querem abrandar e aproveitar o momento. Ao caminhar pela orla costeira, é impossível não se notar no icónico Farol da Barra (62 metros de altura), majestosamente erguido como guardião das águas. Este farol, o mais alto de Portugal e o segundo mais alto da Península Ibérica, acrescenta um toque histórico e pitoresco à paisagem costeira, destacando-se contra o céu azul ou os tons pastel do amanhecer ou entardecer.

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É nesse farol que começa a história que vos trago hoje. Estes são pontos de referência essenciais para a navegação. Em condições adversas, como nevoeiro denso ou escuridão, a luz emitida pelos mesmos serve como guia visual, permitindo que os pescadores se orientem e evitem potenciais perigos ao longo da costa. Essa mesma luz pode ser a analogia perfeita que une os pescadores aos fotógrafos: numa análise mais ou menos forçada, podemos afirmar que ambos são guiados em direção e ela. Na verdade, a fotografia é a arte de manipular e captar a luz, mesmo que atualmente os sensores das máquinas consigam captar o mais ténue fio de luz (muitas das vezes já invisível ao olho humano).

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De manhã cedo, quando o sol ainda espreita timidamente no horizonte, os pescadores começam a sua rotina: ao longo do esporão, desenrola-se um espetáculo protagonizado pelos incansáveis pescadores locais. Estes homens do mar, de semblante endurecido pelo sol e pelo sal , convergem para este ponto estratégico, para conseguirem apanhar o alimento para a família. Vemos pessoas novas e velhas, o mar não distingue as idades! No entanto, durante as 2 horas que estive lá, não vi uma única mulher… será que a pesca ainda é uma actividade só para homens?

A minha ideia era conseguir fotografar os pescadores e todo o esporão com uma camada de nevoeiro e as previsões meteorológicas pareciam indicar que isso iria acontecer, mas desta vez falharam! No entanto, o tempo estava calmo e havia uma sensação de tranquilidade e ordem no nascer-do-sol. Cheguei à praia já na tão famosa golden hour, no entanto a camada de nuvens fez com que só houvesse luz bem depois dessa hora, tendo ficado condições desafiantes para se fotografar: por um lado não havia luz para fazer sobressair os pescadores; por outro tinha de usar um ISO alto para conseguir uma exposição correcta. O resultado é o que podem ver e acho que as fotografias ficaram com um look a relembrar a era do analógico e retratam bem as condições climáticas presentes, assim como toda a nostalgia que podemos associar a estes momentos . Não é com uma saída que se faz uma história e muito menos sem termos uma perspetiva mais pessoal e com detalhes destas pessoas, mas não fico confortável a abordar estranhos na rua (daí preferir as paisagens) e para conseguir criar fotografias mais detalhadas e íntimas iria precisar de uma tele-objectiva.

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Desde sempre que fui fascinado pela pesca, apesar de nunca ter experimentado. Talvez esse fascínio venha do Moby Dick de Herman Melville (1819-1891) ou do facto de ter vivido grande parte da minha infância junto ao mar. O que é certo é que fiz o meu projecto de licenciatura em Biologia tendo as pescas como temática e com isso tive a oportunidade de ser pescador durante 5 dias ao largo da costa da ilha do Faial. Hoje não vivo na costa, mas continuo a sentir uma ligação enorme às artes de pesca e um dia gostava de criar um projecto sobre essa temática. Talvez hoje seja a introdução ao mesmo!

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A atividade piscatória assume um papel de extrema importância na vida das gentes de Aveiro, esta molda a identidade local e influencia as tradições enraizadas na cultura da região. A presença marcante dos barcos a entrar e a sair do porto, as redes meticulosamente utilizadas e as técnicas de pesca transmitidas ao longo do tempo representam um testemunho vivo da tradição piscatória que define Aveiro e principalmente a região de Ílhavo. O papel das pescas não é só cultural, sendo que representa uma fatia importante do orçamento mensal das famílias.

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Numa nota mais pessoal acrescento que com o crescimento da consciência ambiental, a sustentabilidade da pesca tornou-se uma preocupação premente. As comunidades de Aveiro têm um interesse direto na preservação dos recursos marinhos para garantir a continuidade desta atividade. A gestão sustentável e a consciencialização ambiental são fundamentais para proteger o equilíbrio ecológico e assegurar o futuro da pesca em Aveiro.

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